terça-feira, 22 de setembro de 2009

Um Pouco da História do Patrono da EMEF João Ramos

Na história dos movimentos abolicionistas em Pernambuco, o clube do cupim tem um lugar de destaque, apesar de pouco ter sido escrito sobre ele. A partir de 1880 multiplicaram-se no Brasil as sociedades contra a escravidão que tinham como objetivo básico angariar fundos para comprar cartas de alforria de escravos.

Em Pernambuco existiam mais de trinta dessas sociedades que foram gênese do Clube do Cupim, pois muitos dos seus sócios fundadores já participavam ativamente de alguma delas.

Em 24 de março de 1884, o Ceará decretou a libertação de todos escravos daquela província. Intensificou-se campanha contra a escravidão em todo o País.

João Ramos, um maranhence que se mudou para Recife aos 14 anos de idade, idealizador e fundador do Clube do Cupim, sonhava em realizar também em Pernambuco o mesmo que fizeram os cearenses. Passou a proteger escravos recomendados a ele, tornou-se conhecido dos negros que procuravam pedindo ajuda para comprar suas cartas de alforria, prometendo pagá-las com seu trabalho.

Em 1883, com o auxílio de amigos, João Ramos ja havia estabelecido uma rota segura para os escravos fugidos, enviando-os para Mossoró, no Rio Grande do Norte, onde eram transferidos para Aracati e Fortaleza, no Ceará.

No dia 8 de outubro, João Ramos reuniu-se com mais onze amigos, na casa de um deles, o cirurgião dentista Numa Pompílio, na Rua Barão da Vitória, 54 (atual Rua Nova) para fundar uma sociedade não emancipadora, mas abolicionista e secreta denominada Relâmpago, que depois mudou o nome para Clube do Cupim.

A sociedade não tinha estatuto e seu único lema era a libertação dos escravos por todos os meios.

Todo o trabalho era facilitado porque possuíam adeptos e simpatizantes em todo o lugar. Havia uma grande quantidade de "panelas", como eram conhecidos os esconderijos dos escravos que a sociedade ajudavam a libertar.

Suas atividades eram cada vez mais intensas. Os escravos fugiam dos esgenhos aos bandos, deixando alguns quase vazios. No Recife os carregamentos e envios de escravos clandestinos para outros locais, passaram a ser mais numerosos e frequentes. Os escravos eram enviados para Camocim, Natal, Macau, Macaíba, Belém, Manaus, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e até Montevidéu, no Uruguai.

A última façanha do clube do cupim foi o embraque de 119 escravos, realizado no dia 23 de abirl de 1888. No dia 13 de maio, a princesa Isabel assinou a Lei Áurea.

Fonte: http://www.fundaj.gov.br/